SC-401 – Como criar rótulos de confidencialidade no Microsoft Purview


As informações corporativas circulam por diferentes ambientes. Um conteúdo pode ser criado em um documento, enviado por e-mail, utilizado em um relatório do Power BI ou discutido em uma reunião do Microsoft Teams.

Por isso, proteger somente o local onde o arquivo está armazenado nem sempre é suficiente. É necessário associar à informação uma classificação que indique seu nível de sensibilidade e, quando necessário, aplique regras de proteção.

Os rótulos de confidencialidade do Microsoft Purview, conhecidos como sensitivity labels, permitem classificar informações e configurar controles para diferentes tipos de conteúdo. Dependendo da carga de trabalho e da configuração adotada, o rótulo pode ser utilizado em arquivos, documentos, e-mails, dados analíticos e reuniões.

Neste post, voce vai aprender:

  1. Criar um rótulo de confidencialidade;
  2. Definir o escopo de utilização;
  3. Habilitar arquivos, documentos, e-mails, Power BI, Fabric e reuniões;
  4. Configurar restrições para reuniões do Microsoft Teams;
  5. Publicar o rótulo para um grupo de teste;
  6. Validar se as regras foram aplicadas corretamente.

O conteúdo deve ser adaptado à política de segurança da organização. Os nomes dos menus podem apresentar pequenas diferenças conforme a versão do portal, o idioma e as permissões da conta utilizada.


1. Objetivo

O objetivo deste procedimento é criar um rótulo de confidencialidade que possa ser disponibilizado nos ambientes necessários para a organização.

Como exemplo, considere um rótulo chamado Confidencial, destinado a informações que não devem ser compartilhadas livremente.

Esse rótulo poderá ser planejado para trabalhar com:

  • Arquivos e documentos compatíveis;
  • Documentos do Word, Excel e formatos PDF compatíveis;
  • Conteúdos do Power BI e do Microsoft Fabric, quando suportados;
  • Mensagens no Outlook e no Outlook na web;
  • Reuniões do Microsoft Teams.

O escopo deve ser definido com cuidado. Não é recomendável habilitar todos os ambientes apenas porque eles estão disponíveis. Quanto maior o escopo, maior será a necessidade de treinamento, testes e suporte aos usuários.

Resultado esperado

Ao final do procedimento, o administrador deverá ter:

  • Um rótulo criado no Microsoft Purview;
  • Os escopos necessários selecionados;
  • As regras de reunião configuradas;
  • O rótulo publicado para um grupo controlado;
  • Evidências de que os controles funcionam conforme o planejado.

2. Planejamento antes da criação

Antes de abrir o assistente de criação, defina as informações abaixo.

O nome do rótulo deve ser simples e fácil de compreender. A descrição para os usuários deve explicar quando o rótulo deve ser utilizado, enquanto a descrição administrativa pode registrar o motivo da criação, o proprietário do processo e as regras associadas.

Também é importante decidir se o mesmo rótulo será utilizado em documentos, mensagens e reuniões ou se a organização terá rótulos específicos para cada cenário.

3. Acessar o Microsoft Purview e iniciar a criação

  1. Acesse o portal do Microsoft Purview com uma conta que tenha permissão para criar rótulos de confidencialidade.
  2. Abra a área relacionada à proteção de informações.
  3. Localize a seção de rótulos de confidencialidade.
  4. Inicie a criação de um novo rótulo.
  5. Preencha os dados básicos solicitados pelo assistente.

Na criação, serão solicitadas informações como:

  • Nome interno do rótulo;
  • Nome que será exibido aos usuários;
  • Descrição de uso;
  • Descrição administrativa;
  • Classificação ou nível de sensibilidade.

Use uma descrição objetiva. O usuário precisa entender rapidamente a diferença entre aquele rótulo e os demais disponíveis.

Por exemplo:

Confidencial: utilize para informações internas que contenham dados comerciais, financeiros, contratuais, estratégicos ou pessoais.

Depois de preencher as informações básicas, avance para a etapa de definição do escopo.


4. Definir o escopo do rótulo

O escopo determina em quais tipos de conteúdo o rótulo poderá ser utilizado.

Ele não deve ser confundido com uma permissão de acesso. A seleção do escopo apenas disponibiliza o rótulo para determinados ambientes. As regras de proteção serão configuradas nas etapas seguintes.

4.1 Habilitar arquivos e documentos, Power BI e Microsoft Fabric

Na etapa de escopo, selecione a opção correspondente a arquivos, documentos ou outros itens de dados compatíveis.

Esse escopo é utilizado para disponibilizar o rótulo em documentos de produtividade e outros formatos suportados pela organização.

Entre os exemplos apresentados estão:

  • Documentos de texto;
  • Planilhas;
  • Arquivos PDF;
  • Outros arquivos compatíveis com a política de proteção.

Ao habilitar esse escopo, verifique se as aplicações e os formatos utilizados pela organização são realmente compatíveis. O comportamento de um rótulo pode variar conforme o tipo de arquivo, o aplicativo e a forma como o conteúdo é compartilhado.

Habilitar Power BI e Microsoft Fabric

O escopo apresentado no procedimento também contempla ambientes analíticos, como Power BI e Microsoft Fabric.

Essa possibilidade é importante porque as informações sensíveis também podem ser utilizadas em:

  • Relatórios;
  • Painéis;
  • Modelos semânticos;
  • Áreas de trabalho;
  • Itens analíticos;
  • Exportações e compartilhamentos.

No assistente, localize a categoria correspondente aos conteúdos de dados e verifique quais opções estão disponíveis no seu ambiente.

Se Power BI e Fabric aparecerem como opções independentes, selecione somente aquelas que fazem parte do objetivo do rótulo. Se estiverem agrupados em uma categoria maior, confirme na documentação do ambiente quais recursos serão contemplados pela seleção.

Não presuma que o rótulo terá exatamente o mesmo comportamento em todos os objetos analíticos. Faça testes com os tipos de conteúdo realmente utilizados pela empresa.

4.2 Habilitar mensagens de e-mail

Para utilizar o rótulo em mensagens, habilite o escopo correspondente a e-mails.

A classificação poderá ser utilizada nas experiências compatíveis do Outlook, incluindo o cliente instalado e a versão web.

Essa configuração permite que o usuário classifique a mensagem antes do envio, de acordo com a sensibilidade da informação.

A classificação de e-mails deve ser avaliada junto com outros controles, como prevenção contra perda de dados, regras de compartilhamento, proteção de identidade e políticas contra phishing.

4.3 Habilitar reuniões

Se o objetivo for controlar reuniões do Microsoft Teams, habilite o escopo correspondente a reuniões.

Essa seleção é necessária para que o rótulo possa ser utilizado durante a criação ou configuração de uma reunião e para que sejam definidos controles específicos de participação e colaboração.

Depois de selecionar os escopos necessários, avance para as configurações de proteção.


5. Configurar os controles da reunião

Quando o escopo de reuniões estiver habilitado, o assistente apresentará as opções disponíveis para controlar a colaboração durante o encontro.

A finalidade não é controlar quem será convidado. O objetivo é estabelecer quais regras serão aplicadas à reunião quando o rótulo for utilizado.

A disponibilidade dos controles pode variar conforme o ambiente, a versão do Teams, o licenciamento e as políticas da organização.

5.1 Controlar participantes externos

Para uma reunião destinada exclusivamente ao público interno, selecione a opção equivalente a impedir ou restringir a participação de pessoas externas, caso ela esteja disponível no ambiente.

Essa configuração é adequada para cenários como:

  • Reuniões sobre incidentes de segurança;
  • Discussões jurídicas;
  • Informações financeiras;
  • Projetos estratégicos;
  • Negociações internas;
  • Dados pessoais ou informações de clientes.

Se a reunião precisar receber convidados externos, não aplique uma configuração que impeça esse tipo de participação. Nesse caso, utilize uma regra adequada ao cenário e controle o acesso por meio das políticas do Teams e das configurações de identidade.

O rótulo não substitui:

  • A lista de convidados;
  • As políticas de acesso externo;
  • As regras de convidados;
  • A autenticação;
  • Os controles do Microsoft Entra ID;
  • As políticas gerais do Microsoft Teams.

Ele deve ser utilizado como uma camada adicional de proteção.

5.2 Definir quem entra diretamente e quem aguarda no lobby

Configure quais grupos de participantes poderão entrar diretamente na reunião e quais deverão aguardar aprovação no lobby.

Um exemplo de configuração para uma reunião confidencial é:

  • Usuários internos autorizados entram diretamente;
  • Participantes externos aguardam no lobby;
  • Pessoas não autorizadas não conseguem ingressar;
  • O organizador ou o apresentador aprova a entrada quando necessário.

O comportamento deve ser alinhado ao risco da reunião. Uma reunião operacional pode permitir uma entrada mais simples, enquanto uma reunião estratégica pode exigir validação manual.

5.3 Permitir ou bloquear a gravação

Defina se a reunião poderá ser gravada.

Para reuniões que tratam de informações restritas, a gravação pode ser desabilitada. Para reuniões que precisam gerar uma evidência, uma ata ou um treinamento, a gravação pode ser permitida conforme a política interna.

Antes de habilitar esse recurso, verifique:

  • Quem poderá iniciar a gravação;
  • Onde o arquivo será armazenado;
  • Quem terá acesso ao material;
  • Se o conteúdo da gravação será compartilhado;
  • Se existem requisitos de retenção ou auditoria.

5.4 Controlar o chat

Defina se o chat estará disponível para os participantes.

O chat pode ser útil para colaboração, compartilhamento de links e registro de decisões. Entretanto, em reuniões com informações muito sensíveis, ele pode aumentar o risco de distribuição não autorizada de conteúdo.

As opções devem considerar:

  • Se os participantes poderão conversar durante a reunião;
  • Se o chat será permitido somente durante o encontro;
  • Se o conteúdo poderá ser consultado posteriormente;
  • Se haverá restrição para cópia das mensagens;
  • Se o chat contém informações que precisam ser preservadas.

No procedimento apresentado, o chat pode ser habilitado ou bloqueado conforme o nível de proteção desejado.

5.5 Controlar o compartilhamento de tela

Defina se os participantes poderão compartilhar a tela.

Para uma reunião confidencial, uma configuração comum é permitir o compartilhamento somente ao organizador, aos coorganizadores ou aos apresentadores autorizados.

Essa medida ajuda a reduzir o risco de que um participante compartilhe acidentalmente:

  • Uma caixa de e-mail;
  • Um documento confidencial;
  • Dados pessoais;
  • Informações de outro cliente;
  • Uma tela administrativa;
  • Credenciais ou dados técnicos.

5.6 Restringir a cópia de conteúdo

Quando a opção estiver disponível, configure a restrição para impedir a cópia do conteúdo disponibilizado durante a reunião.

Essa configuração deve ser interpretada com cuidado. Ela pode estar relacionada ao conteúdo textual do chat ou a outros elementos compatíveis da experiência da reunião. Ela não impede, necessariamente:

  • Fotografias feitas com outro dispositivo;
  • Gravações externas;
  • Capturas realizadas fora do controle do aplicativo;
  • Anotações manuais;
  • Divulgação posterior do conteúdo por outros meios.

Por isso, a restrição de cópia deve ser combinada com conscientização dos usuários, controles de identidade, políticas de acesso e monitoramento.

Reunião virtual protegida com controles de lobby, gravação, chat, compartilhamento de tela e cópia de conteúdo.



6. Revisar e concluir a criação

Antes de concluir, revise todos os campos configurados:

  • Nome e descrição do rótulo;
  • Escopo de arquivos e documentos;
  • Escopo de Power BI e Fabric, quando aplicável;
  • Escopo de e-mails;
  • Escopo de reuniões;
  • Restrição ou permissão para participantes externos;
  • Regras de lobby;
  • Gravação;
  • Chat;
  • Compartilhamento de tela;
  • Cópia de conteúdo.

Se alguma configuração estiver incorreta, volte à etapa correspondente e faça o ajuste antes de salvar.

Depois da revisão, conclua a criação do rótulo.

A criação, porém, não significa necessariamente que todos os usuários já conseguirão utilizá-lo. Em geral, o rótulo precisa ser associado a uma política de publicação.


7. Publicar o rótulo para os usuários

A publicação deve ser feita inicialmente para um grupo de teste.

Procedimento recomendado:

  1. Acesse a área de políticas de publicação de rótulos;
  2. Crie uma nova política ou edite uma política existente;
  3. Selecione o rótulo criado;
  4. Defina os usuários ou grupos que receberão o rótulo;
  5. Comece com uma equipe-piloto;
  6. Salve e publique a política;
  7. Aguarde a propagação da configuração no ambiente;
  8. Realize os testes com usuários reais do grupo-piloto.

Evite publicar imediatamente para toda a organização. A etapa-piloto permite identificar problemas de compreensão, restrições excessivas e incompatibilidades com os aplicativos utilizados.

Administrador distribuindo uma política de proteção para um grupo de usuários-piloto


8. Validar a configuração

Após a publicação, execute testes em cada ambiente selecionado.

Documente os testes realizados. Registre:

  • Data do teste;
  • Usuário utilizado;
  • Dispositivo;
  • Aplicativo ou navegador;
  • Reunião utilizada;
  • Resultado obtido;
  • Evidência visual;
  • Eventuais ajustes necessários.

As capturas de tela utilizadas como evidência devem ser anonimizadas antes de serem armazenadas ou publicadas.


9. Erros comuns durante a criação

Confundir escopo com permissão

Selecionar um escopo não determina, sozinho, quais usuários poderão utilizar o rótulo. É necessário publicar o rótulo para usuários ou grupos por meio da política adequada.

Publicar o rótulo sem realizar um piloto

A publicação ampla pode causar problemas para equipes que ainda não conhecem a classificação ou que dependem de compartilhamento externo.

Criar rótulos com nomes muito parecidos

Rótulos com descrições semelhantes dificultam a escolha correta. Use nomes objetivos e explique claramente a finalidade de cada classificação.

Acreditar que o rótulo substitui as políticas do Teams

As configurações do rótulo devem trabalhar junto com as políticas de acesso externo, identidade, convidados e lobby do Microsoft Teams.

Considerar que bloquear a cópia impede todos os vazamentos

A restrição de cópia atua apenas nos recursos compatíveis. Ela não elimina riscos como fotografias, gravações externas ou divulgação verbal.

Não testar diferentes clientes

O comportamento pode variar entre aplicativo instalado, navegador, dispositivo móvel e diferentes tipos de conteúdo. Teste os ambientes realmente utilizados pela organização.

Confundir confidencialidade com retenção

Rótulos de confidencialidade protegem e classificam informações. Rótulos de retenção controlam o ciclo de vida e o tempo de preservação dos dados. São recursos diferentes e devem ser planejados separadamente.


Conclusão:

A criação de um rótulo de confidencialidade no Microsoft Purview deve ser tratada como um processo de governança, e não apenas como uma configuração técnica.

O procedimento pode ser resumido em cinco etapas:

  1. Planejar o nome, a finalidade e o público do rótulo;
  2. Definir o escopo para arquivos, e-mails, dados analíticos e reuniões;
  3. Configurar os controles de acordo com o risco da informação;
  4. Publicar inicialmente para um grupo-piloto;
  5. Testar e monitorar o comportamento em cada ambiente.

Nas reuniões do Microsoft Teams, o rótulo pode controlar participação externa, lobby, gravação, chat, compartilhamento de tela e cópia de conteúdo compatível. No entanto, ele não substitui os controles de identidade, as políticas de acesso externo ou a conscientização dos usuários.

Uma implantação eficiente começa com poucos rótulos, descrições claras e cenários bem definidos. Depois do piloto, a organização pode ajustar a taxonomia, ampliar os escopos e publicar as políticas para outros grupos.

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